Expansão · 30 de agosto de 2026
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Islandeses pagam até nove por cento de juros em financiamento imobiliário enquanto debate sobre adesão à UE se intensifica
Um casal islandês de 28 anos, Óskar Fannar Vilmundarson e sua companheira, passou a pagar nove por cento de juros em seu financiamento imobiliário após o Banco Central da Islândia elevar a taxa básica de juros para oito por cento na semana passada.
A decisão do Banco Central da Islândia de aumentar a taxa básica de juros para oito por cento na semana passada levou ao aumento imediato das taxas de financiamento imobiliário no país. Vilmundarson e sua companheira, que optaram por uma taxa flutuante, agora pagam nove por cento de juros, um valor que ele descreveu como perceptível no bolso.
Mais de sessenta por cento dos financiamentos imobiliários na Islândia são indexados à inflação, segundo a autoridade responsável pelo setor habitacional. Esses empréstimos ajustam automaticamente o valor devido conforme a inflação sobe, permitindo que os mutuários paguem taxas de juros mais baixas, mas com o risco de o saldo do empréstimo aumentar com o tempo. A inflação no país atingiu 5,3 por cento em julho, segundo dados oficiais.
O Banco Central da Islândia destacou que a inflação é o maior desafio econômico atual do país. Jón Bjarki Bentsson, economista-chefe do Íslandsbanki, afirmou que a economia islandesa, por ser pequena, é altamente sensível a eventos externos e choques, como o recente aumento nos preços do petróleo. Ele também mencionou que a demanda excessiva e o crescimento acelerado dos salários e custos contribuíram para a pressão inflacionária.
A discussão sobre a adesão da Islândia à União Europeia (UE) ganhou força recentemente, com uma votação marcada para este sábado, 29 de agosto, para decidir se o país deve iniciar negociações formais com o bloco. Caso a população vote a favor, uma nova consulta popular será realizada após a conclusão de um eventual acordo.
Os defensores da adesão argumentam que a adoção do euro poderia trazer maior estabilidade econômica e reduzir as taxas de juros, além de diminuir a incerteza cambial e os custos para empresas que operam no país. No entanto, os opositores alertam para possíveis perdas de soberania, especialmente no setor pesqueiro, que representa vinte por cento das exportações islandesas, e questionam a capacidade do país de influenciar as decisões da UE com uma população de cerca de 400 mil habitantes.
Helga Björg Thrastardóttir, de 32 anos, e Jòn Gudni Gudmundson, de 44 anos, ambos participantes de um evento de campanha a favor da adesão à UE, relataram o impacto das altas taxas de juros em suas finanças pessoais. Thrastardóttir, que recentemente teve sua taxa fixa de quatro por cento convertida para oito por cento por cinco anos, viu suas prestações mensais quase dobrarem, passando de cerca de 147 mil coroas islandesas para 290 mil coroas. Ela descreveu a situação como insustentável e expressou medo de não conseguir arcar com os pagamentos no futuro.
Gudmundson, por outro lado, optou por um empréstimo indexado à inflação, permitindo que ele mantenha prestações mensais mais baixas, embora o saldo do empréstimo aumente com o tempo. Ele afirmou que prefere essa opção para ter mais folga financeira no presente.
O debate sobre a adesão à UE também envolve questões como a adoção da moeda única europeia. Os defensores acreditam que o euro poderia trazer maior previsibilidade econômica, enquanto os críticos argumentam que a coroa islandesa já atua como um mecanismo estabilizador e que a inflação atual não está diretamente ligada à moeda.
O Íslandsbanki, um dos principais bancos do país, oferece empréstimos indexados à inflação com taxas de juros significativamente mais baixas do que as de financiamentos tradicionais. Segundo o portal financeiro Finansportalen, na Noruega, por exemplo, as taxas de financiamento imobiliário com taxa flutuante estão em torno de 5,10 por cento.
A votação deste sábado é vista como um marco para o futuro econômico e político da Islândia, com implicações diretas para a vida de milhares de cidadãos que enfrentam o peso das altas taxas de juros e da inflação.
O E24 noticiou a história.