Investimento · 28 de agosto de 2026

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Startup ARCSPACE arrecada mais de 2 milhões de euros para viabilizar reparos em satélites em órbita

Two smiling men shake hands across an office desk
Md Ishak Rahman / Unsplash

A startup parisiense ARCSPACE anunciou a captação de mais de 2 milhões de euros para qualificar em voo uma tecnologia de soldagem e corte por feixe de elétrons destinada a operações em órbita. A inovação busca permitir intervenções em satélites que nunca foram projetados para manutenção. A empresa, fundada em 2022, tem como meta transformar equipamentos espaciais descartáveis em ativos reparáveis, ampliando a vida útil de infraestruturas orbitais críticas.

A tecnologia desenvolvida pela ARCSPACE utiliza um feixe de elétrons de alta energia para cortar, unir e soldar materiais no vácuo espacial. O desafio não é apenas miniaturizar o processo, mas também torná-lo autônomo e compatível com as condições extremas do ambiente orbital, como vibrações durante o lançamento, vácuo intenso e variações bruscas de temperatura. A solução proposta pela startup permite criar ou modificar interfaces físicas em satélites já em operação, dispensando a necessidade de que tais estruturas tenham sido previstas desde a fabricação.

O mercado-alvo da ARCSPACE é composto por satélites que não foram originalmente projetados para manutenção, mas que ainda possuem valor operacional significativo. Segundo a empresa, a abordagem pode reduzir riscos associados a infraestruturas orbitais e aumentar sua resiliência. O primeiro foco não é a reparação tradicional, mas sim viabilizar a "serviçabilidade" — tornar acessível a intervenção em ativos que não foram projetados para isso.

A rodada de investimento, liderada pela DEPO Ventures por meio de seu fundo DEPO Ventures One, contou com a participação da SCE Freiraum Ventures, IRDI Capital Investissement e um grupo de business angels franceses. Petr Šíma, sócio da DEPO Ventures, destacou que a solução da ARCSPACE representa um avanço disruptivo, capaz de reparar satélites sem histórico de manutenção projetada.

O setor de manutenção orbital ainda está em fase embrionária, mas projeta-se que possa movimentar entre 5,1 e quase 7 bilhões de dólares globalmente até 2030, segundo o European Space Policy Institute. Embora algumas operações comerciais tenham demonstrado viabilidade econômica — como a missão MEV da Northrop Grumman, que preservou centenas de milhões de dólares em valor para a Intelsat —, o mercado ainda carece de maturidade. Em julho de 2026, a missão robótica da SpaceLogistics, equipada com o sistema RSGS desenvolvido em parceria com a DARPA, realizou intervenções complexas em satélites geoestacionários, instalando módulos para prolongar sua vida útil.

A ARCSPACE já despertou o interesse de mais de uma dezena de empresas comerciais e mantém colaborações com o CNES, a ESA e o European Defence Fund. A startup não atua sozinha nesse segmento: em maio de 2024, a americana ThinkOrbital e a britânica TWI realizaram o primeiro soldagem autônoma por feixe de elétrons no espaço, a bordo de um foguete Falcon 9. A ARCSPACE planeja, para 2027, uma operação de soldagem autônoma com duração superior a 100 segundos.

Outros atores, como a ASTROSCALE, desenvolvem capacidades essenciais para o setor, como aproximação, inspeção, captura e prolongamento de vida útil, elementos que podem se tornar parceiros ou clientes da ARCSPACE. A empresa destaca que a soldagem no espaço é apenas uma parte de uma cadeia de valor ainda em construção, que inclui desde a captura de satélites até a execução de reparos.

Informado por FrenchWeb.