Investimento · 23 de setembro de 2026

Ningún vento serve se não sabes para onde vais: a história por trás da Santa María Investment

green plant in clear glass vase
micheile henderson / Unsplash

O Startups Latam divulgou a trajetória de Santiago Tamayo, fundador e presidente da Santa María Investment Group, que antes desejava ser baterista de rock e estudou ciências políticas e direito em Bogotá. Em 2026-09-20, ele ainda não havia definido seu norte, mas já liderava o family office que conecta capital familiar ao ecossistema empreendedor da América Latina.

Antes de assumir a liderança, Tamayo estava em Buenos Aires aprendendo a escrever roteiros de cinema quando recebeu uma ligação de seu pai. A família Tamayo cultivava cana-de-açúcar no norte do Valle del Cauca, na Colômbia, até que o rio Cauca transbordou duas vezes em menos de dois anos, destruindo as colheitas que sustentavam parte da família.

“Precisamos da ajuda de toda a família”, afirmou o pai.

Ele voltou para Bogotá sem saber que o chamado mudaria sua trajetória profissional. Anos depois, como CEO da Santa María Investment Group e presidente da rede Family Office Network, ele defendeu que o maior erro de sua carreira foi demorar para entender para onde queria ir.

A crise familiar inspirou a criação da Santa María Investment Group, que leva o nome da primeira empresa do avô, fundada na década de 1940 e encerrada posteriormente. A estrutura profissional foi consolidada após seis anos de separação entre decisões de investimento e conversas familiares.

Tamayo explicou que o primeiro contato das famílias com venture capital costuma ser negativo: um parente traz uma ideia, os investimentos são feitos sem compreensão do ativo e o startup falha, levando à conclusão de que “isso não funciona”.

Ele acrescentou que o venture capital é um ativo ilíquido, mas que, com o crescimento de empresas como Rappi, Clip, Konfío e NotCo, as famílias têm investido mais, chegando de 0,5% para 7% do portfólio desde 2023.

O investimento em venture capital representa entre 10% e 15% do portfólio, segundo Tamayo, que defende que esse segmento é contracíclico e oferece retornos superiores ao real estate.

Ele ressaltou que a limitação da América Latina não é a disponibilidade de capital, mas a falta de política pública sustentada. Citou Israel e Califórnia dos anos 1960 como exemplos de decisões estatais que impulsionaram o desenvolvimento tecnológico.

Se voltasse ao Santiago que começou na bateria, diria para não ter medo de ser disruptivo e definir seu norte antes. Atualmente, um comitê externo gerencia as decisões financeiras, enquanto um conselho familiar define a direção do patrimônio em dez ou quinze anos.

“O propósito do family office é evitar que a família se destrua por questões de dinheiro. Separar o profissional do familiar elimina muitos problemas”.